sexta-feira, 16 de julho de 2010

Vai dar o q falar: Congresso discute projeto que proíbe adoção por casais homossexuais

Texto de Max Reinert
Uma das coisas que eu mais me lembro na discussão sobre a lei que criminalizaria a homofobia no Brasil era o argumento usado pelos que eram contra sua aprovação. Cansei de ouvir que “os homossexuais estariam querendo receber regalias, uma vez que a constituição brasileira defende todos os seus cidadãos de maneira igual”.

Pois bem, seguindo esse raciocínio, então podemos afirmar que agora, alguns políticos e a igreja (sempre a igreja, sério?) não quer mais que sejamos cidadãos brasileiros com direitos iguais. Está lançada oficialmente a campanha para tornar os homossexuais cidadãos de segunda classe!

O Deputado Zequinha Marinho (PSC/PA) – adora um bafo contra os gays, né? – criou um projeto de lei (PL 7018/2010) que veda a adoção de crianças e adolescentes por por casais do mesmo sexo. Segunda essa anta, digo nobre deputado, o intuito é proteger as crianças de futuros constrangimentos por causa da orientação sexual dos seus pais.

Toda vez que eu escuto essa “justificativa” não consigo deixar de lembrar deste texto do Eduardo Honorato onde ele, entre outras questões, faz a seguinte reflexão: “que “cuidado” é esse que prefere uma criança institucionalizada (criada por orfanatos e ongs) do que por um casal homoparental amoroso e dedicado à formação dessa criança?”

Obviamente, este projeto de lei é uma resposta aos Tribunais brasileiros que vêm mandando uma mensagem clara para a sociedade. Segundo o presidente da sessão que concedeu à um casal de lésbicas no Rio Grande do Sul o direito a adoção, ministro João Otávio de Noronha, o fato de a relação ser homoafetiva não influencia na opção sexual dos adotados e, ainda, que a adoção vai permitir às crianças melhor amparo e qualidade de vida. “Vem toda essa questão moral e vamos deixar as crianças no abrigo onde sofrem violência?”, indagou Noronha ao plenário.

No vídeo abaixo, você pode ver uma matéria do Jornal Hoje sobre a lei. Nele, há também alguns trechos interessantes de ressaltar, como a colocação de uma senhora que se mostrou preocupada com a recepção na escola dessas crianças com “dois pais homens ou duas mulheres”.

Toni Reis, presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros), não nega que pode sim haver essa discriminação, mas questiona: “Qual a criança que não sofreu preconceito na escola? Por ser negra, usar óculos, ser alto, baixinho. As crianças vão ter preconceito e isso nós vamos ter que trabalhar”.

O arcebispo de Brasília Dom João Bras de Aviz, ao responder a pergunta da reporter sobre o “porquê” de uma união homoafetiva não representar uma família, respondeu que “uma relacionamento homoafetivo não constitui uma família” … ou seja… não disse nada! E completou: “Porque a criança precisa do lado afetivo, que é masculino e é feminino, o equilíbrio da sua personalidade, a união realmente os dois, do homem e da mulher no casamento é que garantem isso.“



Sério??? Quer dizer então que, em caso da separação dos pais (visto que a balança masculino/feminino vai ficar em desigualdade) deveríamos retirar essas crianças do convívio dessa “família desajustada”? Mas esse conceito não é 1920 demais não, meu senhor? #Ai, olha eu “tentando” usar argumentos numa discussão com a igreja. Fail Total pra mim!#

E depois, como eu já perguntei aqui: O que define uma família? A simples hereditariedade? A presença do masculino e do feminino? Ou a possibilidade de superar diferenças no desejo de construir uma vida feliz em comum?

Link para o vídeo

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